Desde a implantação até a colheita, a cultura da soja pode sofrer ataques de diversas pragas. O conhecimento do impacto dos insetos na lavoura é essencial para que as ações preventivas e as técnicas de manejo sejam implementadas adequadamente. O monitoramento e reconhecimento das principais pragas, associados às ferramentas disponíveis para manejo integrado de insetos são aspectos fundamentais para a proteção da lavoura. ­


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A espécie Elasmopalpus lignosellus, popularmente chamada broca-do-colo ou lagarta-elasmo, pode causar danos consideráveis na lavoura, especialmente na fase inicial de desenvolvimento da cultura da soja. Sua incidência é geralmente cíclica, principalmente, em anos com estiagem prolongada em áreas com solo arenoso.

A praga tem ampla distribuição em lavouras de soja nas regiões temperadas e tropicais das Américas, sendo utilizados na descrição da espécie exemplares oriundos do Brasil, Uruguai, Colômbia e Estados Unidos (VIANA, 2004).

No Brasil, surtos de E. lignosellus em soja têm sido frequentes em vários estados, tanto na região Sul (RS, SC e PR), Sudeste (SP e MG), Centro-Oeste (MS, MT e GO) quanto Nordeste (MA e PI).

É considerada uma praga polífaga, alimentando-se de diversas plantas cultivadas ou silvestres, pertencentes a cerca de 14 famílias, em especial gramíneas e leguminosas. No Brasil, Gallo et al. (2002) citam essa lagarta como praga de amendoim, arroz, cana-de-açúcar, feijão, milho, soja, sorgo, trigo e outros cereais de inverno.


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Saiba mais sobre a praga

Essa espécie prefere solos arenosos e, para o seu estabelecimento na lavoura, necessita de um período de seca prolongado durante, as fases iniciais da cultura. Inicia o ataque logo após a germinação da soja, período que pode se estender por 30-40 dias. Os ovos são colocados sobre a planta ou no solo, ocorrendo a eclosão em dois ou três dias. As larvas medem até 16,2 mm, possuem coloração branca esverdeada a amarelada, com faixas transversais marrom ou marrom avermelhada. A larva penetra na planta logo abaixo do nível do solo, onde cava uma galeria ascendente na haste.

Junto ao orifício de entrada, as larvas tecem casulos cobertos com excrementos e partículas de terra. As plantas atacadas podem morrer imediatamente ou sofrer danos, posteriormente, sob a ação de chuvas, vento ou implementos agrícolas. A mesma lagarta pode atacar até três plantas durante o seu ciclo vital.



A pupa apresenta coloração inicial amarelada ou verde, nos segmentos abdominais, passando a marrom e, logo antes da eclosão do adulto, assume a coloração preta. O adulto é uma mariposa pequena de cor cinza amarelada, com cerca de 20 mm de envergadura, geralmente mais ativo à noite. Os machos, normalmente são menores que as fêmeas, apresentam coloração marrom com manchas escuras nas asas anteriores (Figura 1a), enquanto as fêmeas são de coloração cinza (Figura 1b). Os ovos, inicialmente branco-amarelados e posteriormente avermelhados ou róseo escuros, são colocados no solo, próximos à planta. A eclosão das lagartas ocorre em 2 ou 3 dias, enquanto a fase larval dura de 8 a 42 dias, dependendo da temperatura.

Figura 1: Adulto macho (a) e fêmea (b) de Elasmopalpus lignosellus.

Fonte: P.R.V. da S. Pereira.

Já as lagartas, nos primeiros ínstares, têm a cor amarelo-palha ou levemente rosada, com uma faixa avermelhada no dorso e, no máximo desenvolvimento, tornam-se esverdeadas a amareladas ou, ainda, verde-azuladas, com anéis e faixas marrom ou marrom avermelhado (Figura 2a).

Inicialmente, as lagartas alimentam-se de matéria orgânica do solo ou raspam o tecido vegetal e, em seguida, penetram na planta na altura do colo, logo abaixo do nível do solo, onde cavam uma galeria ascendente. Junto ao orifício de entrada, as lagartas tecem casulos cobertos com excrementos, restos vegetais e partículas de terra. Nos últimos ínstares, as lagartas podem medir entre 15 a 20 mm de comprimento, são muito ativas e saltam quando tocadas.

Figura 2: Larva (a), pupa (b) e dano (c) de Elasmopalpus lignosellus.

Fonte: P.R.V. da S. Pereira.

A pupa apresenta coloração inicial amarelada ou verde, nos segmentos abdominais, passando a marrom, na extremidade (Figura 2b). Próximo da eclosão do adulto, a pupa assume a coloração preta. Essa fase ocorre no solo e, em geral, dura entre 7 e 10 dias, quando emergem os adultos. A longevidade média das fêmeas fecundadas é de 10 dias enquanto as não fecundadas e os machos duram 21 ou 22 dias, respectivamente (LEUCK, 1966).


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Danos

A lagarta-elasmo, que prefere solos arenosos e necessita de um período de seca prolongado durante as fases iniciais da cultura, inicia seu ataque logo após a germinação da soja, podendo se estender por 30 a 40 dias, causando morte de plantas e falhas nas linhas de plantas na lavoura, que podem medir de 30 a 60 cm. Quando o ataque ocorre no início do desenvolvimento da soja, os ponteiros das plantas novas atacadas murcham em poucas horas e as plantas morrem em 2 a 3 dias.

O ataque dessa praga danifica o sistema condutor de água e nutrientes da planta, induzindo sintomas de murcha e secamento de folhas, com posterior morte. Esses danos podem levar a uma drástica redução de estande de plantas durante o estabelecimento da cultura, que posteriormente pode reduzir a produtividade. Em casos de ataques severos, poderá haver a necessidade de ressemeadura.

Plantas com mais de 25 cm de altura suportam melhor o ataque; nesse caso, a lagarta não consegue abrir galerias, mas danifica o tecido do colo, retardando o desenvolvimento e aumentando a probabilidade de quebra da planta por ventos e chuva (Figura 3c) (TONET et al., 2000).

Figura 3: Larva da lagarta elasmo (a), dano na região do colo da planta (b) e planta morta (c).

Fonte: Fonte: P.R.V. da S. Pereira.

A intensidade de danos da lagarta elasmo está relacionada com períodos de temperatura elevada e de baixo teor de água no solo. Nas áreas de semeadura direta, em geral, a ocorrência de E. lignosellus tem sido menor. Nas áreas de semeadura convencional, em condições normais, a temperatura do solo é favorável à lagarta-elasmo, mas períodos longos de estiagem provocam o aquecimento a níveis letais para a praga.

O ataque geralmente ocorre em reboleiras, comprometendo cerca de 10 a 50% da área de soja atacada. A intensidade de danos da lagarta-elasmo está relacionada com períodos de temperatura elevada e de déficit hídrico no solo. A umidade do solo afeta diretamente a escolha do local de oviposição, a eclosão das lagartas e a mortalidade de lagartas recém eclodidas (VIANA, 1981, citado por VIANA, 2004).


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 Em áreas não irrigadas, mas com boa distribuição de chuvas pós-plantio, a infestação pela lagarta-elasmo é baixa devido ao controle feito pela umidade do solo, sendo um fator abiótico que pode ser utilizado no manejo da lagarta-elasmo, considerando-se que pode afetar negativamente qualquer uma das fases de desenvolvimento da praga. Da emergência das plantas até que atinjam a altura média de 35 cm, são observadas lagartas pequenas, que são mais sensíveis à alta umidade.

A presença de palha na superfície funciona como proteção contra radiação solar, impedindo o aquecimento do solo e, consequentemente, a perda de umidade. Nas áreas de plantio convencional, em condições normais, a temperatura do solo é favorável à lagarta-elasmo. Entretanto, períodos longos de estiagem provocam o aquecimento a níveis letais para a praga (BIANCO, 1985). Alternativamente, as larvas podem também se alimentar de resíduos vegetais em decomposição oriundos do preparo do solo. Assim, logo após essa operação, as lavouras poderão sofrer danos significativos, em função da migração da população residente no material em decomposição para as plantas recém-emergidas (VIANA, 2004).

Figura 4: Elasmopalpus lignosellus atacando a cultura da soja.

Fonte: Agro Bayer Brasil.

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Manejo integrado de Elasmopalpus lignosellus

Pesquisas que relacionaram a abundância de adultos com a ocorrência de lagartas, indicaram que, para cada adulto detectado na lavoura, podem se esperar 13 larvas por metro, após uma semana.

Em função da dificuldade de previsão de ocorrência ou detecção da praga no início do ataque, muitas vezes o controle é feito de forma preventiva. Na prática, a decisão de controlar a praga tem sido tomada com base na análise conjunta de uma série de informações, tais como histórico de ocorrência na área, fatores edafoclimáticos favoráveis ou desfavoráveis à sua biologia, presença de inimigos naturais e sequência de plantio de culturas hospedeiras.

Em locais com alta probabilidade de ocorrência do inseto, o controle da lagarta-elasmo pode ser realizado através do tratamento de sementes com inseticidas ou aplicação de inseticidas no sulco de semeadura. O tratamento de sementes é mais eficiente, prático e de menor custo. A eficiência de controle do tratamento de sementes de soja com inseticidas varia entre 50 e 95%, dependendo das condições climáticas.

 Quando o ataque é detectado após a emergência das plantas, em lavouras não tratadas preventivamente com inseticidas, pode-se efetuar uma pulverização de inseticidas com bicos do tipo leque, em alto volume, com o jato dirigido para o colo das plantas. Essas pulverizações devem ser noturnas ou realizadas nas horas mais frescas do dia. Em soja, a eficiência de controle dessas pulverizações varia de 20 a 60%, dependendo das condições climáticas e do estádio da planta. Experimentos com pulverizações em plantas de soja, atacadas por elasmo no início do desenvolvimento (V2 e V3), demonstraram, após 72 h, controle de 25 e 33% respectivamente (GOMEZ; ÁVILA, 2001).

Existem inseticidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para controle desta praga em várias culturas, inclusive para a soja, disponíveis no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários-AGROFIT.


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Alternativas de controle

O tratamento de sementes com inseticidas é a principal estratégia. Como as lagartas atacam plantas já emergidas, é necessária atenção para utilização de inseticidas sistêmicos, que possam ser absorvidos e translocados para a parte aérea e assim protegerem os tecidos.

O custo do tratamento de semente é normalmente muito baixo em relação ao custo de produção total. Assim, essa prática não deve ser negligenciada ou feita de forma inadequada, pois ela pode garantir o sucesso do estabelecimento da lavoura.

Além disso, o plantio direto também tem apontado resultados positivos na redução do elasmo. De qualquer forma, assim como todos os casos, é sempre aconselhável procurar o auxílio de um engenheiro agrônomo.

No tratamento de sementes pode ser utilizado carbamatos (thiodicarb e carbosulfan), fipronil ou clorantraniliprole em dosagens adequadas. Entretanto, o risco de fitotoxicidade é alto, devendo o profissional que recomenda ficar atento quanto ao registro do inseticida para a cultura.

Fontes utilizadas: EmbrapaSoja: manejo integrado de insetos e outros artrópodes-pragaAgro Bayer Brasil; Revista cultivar. 



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.


Foto de capa: Fonte: Agro Bayer Brasil.

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