O 2,4-D é amplamente utilizado no manejo pré e pós emergência das plantas daninhas em diversas culturas, no Brasil, utilizado nas culturas da soja (pré-plantio), arroz, milho, trigo e cana-de-açúcar. É utilizado também em mistura com glifosato, visando aumentar o controle de plantas resistentes a este herbicida, em decorrência do plantio direto (Silva et al., 2013).

Com seu amplo espectro de ação sobre plantas daninhas de folha larga (guanxuma, poaia, trapoeraba, etc), se torna uma importante ferramenta para o manejo da resistência em relação aos herbicidas inibidores de ALS.


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Contudo, recentemente foi observada a sintomatologia de rápida necrose em plantas de buva, que demonstram a resistência dessa planta ao herbicida 2,4-D. Com a rápida necrose, após a aplicação do herbicida, a eficiência de controle é reduzida, acarretando em rebrote das plantas daninhas, aumentando a posterior matocompetição com a cultura de interesse econômico.

Além disso, em estudos realizados por pesquisadores da UFPR, observou-se também a ausência de sintomas após a aplicação do herbicida em plantas de buva. Esse comportamento é anormal e diferente do que já vinha sendo observado, que era o sintoma da rápida necrose, observada poucas horas após a aplicação, onde a planta seca muito rapidamente, mas retornava sua brotação depois de algum tempo.

O estudo foi realizado em uma lavoura onde foi aplicado 2,4-D e pode-se observar que algumas plantas apresentaram o sintoma comum esperado de epinastia, rápida necrose ou hipersensibilidade ao herbicida, e também houveram plantas que não apresentaram necrose, nem a epinastia comum, apresentando-se com ausência de sintomas.

Para observar essa constatação, clique aqui.

Dessa forma, estudos em relação a esses efeitos e sobretudo sobre o comportamento das plantas de buva são de extrema importância para que se possa levar a informação até o produtor rural, buscando sempre um manejo eficaz onde o produtor é beneficiado.


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Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, Aldo Merotto, professor e pesquisador na área de manejo de plantas daninhas e resistência a herbicidas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, comentou sobre a buva resistente ao 2,4 -D e quais as implicações dessa resistência no manejo da planta daninha. Aldo destacou no vídeo, os problemas associados à buva, plantas escapes ou resistentes ao 2,4 -D e também sobre outros herbicidas.

Conforme destacado pelo professor, já são quase 4 anos de pesquisa que o mesmo vem desenvolvendo com plantas de buva e os casos de resistência relacionados a essa planta, e afirma que a sintomatologia que é observada no caso da resistência ao 2,4-D, é diferente da que é observada em relação aos outros herbicidas.

Essa sintomatologia é a que denominamos de rápida necrose, que ocorre logo após a aplicação do herbicida e impede que o 2,4-D controle plantas de buva, sendo caracterizado como um caso de resistência em virtude de não controlar a planta e das quantificações já realizadas.

O caso de resistência foi verificado primeiramente no oeste do estado do Paraná, conforme destacado pelo professor, onde ao longo de várias safras os produtores foram observando que logo após a aplicação as plantas de buva demonstravam uma queima superficial (rápida necrose), e alguns dias ou semanas após a aplicação era verificado que a planta rebrotava e continuava seu desenvolvimento de forma normal.


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Segundo Aldo Merotto, foi observado um ponto extremamente importante que é o estágio de aplicação, onde as plantas mais adultas tendem a ter esse sintoma de forma mais facilitada. Além disso, há uma grande interação da resistência com a temperatura, onde condições de variação de temperatura fazem com que esse sintoma ocorra ou não em nível de campo e também em campos experimentais.

O pesquisador colocou que dentro do grupo de herbicidas auxínicos, apenas o 2,4-D tem apresentado esse problema de rápida necrose, onde os outros herbicidas controlam efetivamente plantas de buva sem apresentar nenhuma resistência.

Em casos onde o produtor observa que após a aplicação do 2,4-D, poucas horas após as plantas de buva já começam a apresentar a rápida necrose, a orientação do pesquisador é que não se faça o controle com outros auxínicos no mesmo dia em que foi observada a sintomatologia de rápida necrose das plantas, devendo-se esperar pelo menos um dia para uma aplicação posterior.



Dessa forma, cabe ao agricultor optar por herbicidas alternativos, como outros auxínicos, inibidores de GS, ou então inibidores de protox, que se caracterizam como herbicidas que podem ser usados evitando-se aqueles que já apresentam resistência, como o 2,4-D e o Paraquat.

Aliado à utilização de herbicidas alternativos, também é destacada a importância de se realizar o manejo da cultura como um todo, pensando-se na também na entressafra, com a presença de culturas de cobertura, com a manutenção de palhada, potencializando o efeito das culturas de rotação e de sucessão, proporcionando um controle mais eficaz da buva, onde o controle com herbicidas é apenas uma complementação e não a única alternativa de controle a ser  realizada.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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