Antes de começar a falar em “queda do dólar” temos que falar na alta que houve entre dezembro de 2019 e 2020. Neste período a moeda americana subiu 22,62%, passando de R$ 4,1192 para R$ 5,0476 nesta data. Então, o dólar não “caiu” tanto assim. É verdade que já esteve a R$ 5,90, mas ainda está muito alto em relação ao ano passado.

Nesta semana, a cotação caiu 1,51%. A série de quatro semanas de baixa (em que acumulou perda de 7,81%) é a mais longa desde a sequência também de quatro semanas de queda finda em 27 de dezembro do ano passado. Neste mês de dezembro, o dólar recuou 5,59%.

Esta “queda do dólar” influencia o mercado de trigo de duas formas:

  • a) Queda nos preços dos trigos do Uruguai e do Paraguai (Argentina nem tanto, para os moinhos do interior);
  • b) Queda nos preços das farinhas argentinas.

Qual o segredo? Transporte terrestre. Os trigos e as farinhas do Uruguai e do Paraguai (e as farinhas da Argentina) chegam aos moinhos no Brasil por via terrestre, os trigos a R$ 1.335,00 (Rio Grande do Sul) e R$ 1.280,00 (Ponta Grossa), respectivamente, e a farinha 000 oscilando entre US$ 300 (R$ 1.512)-320 (R$ 1.613)/t, pressionando os preços internos.

Há trigos da Argentina, da região de Corrientes, que estão na melhor condição entre todos os do país, que chegarão por via rodoviária ao Rio Grande do Sul a preços muito competitivos. Esta via tem duas vantagens:

  • a) podem ser adquiridas pequenas quantidades (os navios trazem no mínimo 25 mil toneladas, os caminhões 25 toneladas) e
  • b) podem aproveitar o dólar atual (por navio o câmbio tem que ser fechado no momento da contratação com 60 dias de antecedência e por caminhão no máximo com uma semana).

Os trigos que chegam por via marítima estão se tornando muito caros, porque foram adquiridos com dólar mais elevado. Já foram 48.000 toneladas descarregadas no porto gaúcho de Rio Grande, negociadas há dois meses, quando a cotação do dólar estava por volta de R$ 5,62, 11,50% mais altas do que os R$ 5,04 de hoje.

Mas, para o primeiro semestre de 2021, principalmente a partir de março (até lá supõe-se que os moinhos tenham trigo nacional) os preços devem começar a subir novamente (mesmo os nacionais), acompanhando os preços do trigo argentino, que começarão a chegar com mais volume ao Rio Grande do Sul, a preços entre R$ 1.480,00 (março) e R$ 1.575,00 (julho), como mostra a tabela abaixo, feita sobre os preços do trigo argentino de quinta-feira, dia 10 de dezembro.

Veja-se que estes preços são 9,63% (março) mais altos do que os atuais e 16,66% (julho) mais altos, mesmo com dólar para o período fevereiro-junho cotado muito baixo, entre R$ 5,05 e R$ 5,07. Numa simulação com dólar a R$ 4,80 os preços do trigo argentino chegariam aos moinhos a R$ 1.400,0/t em março, R$ 1.415,00 em abril, R$ 1.500,00 em maio, R$ 1.470,00 em junho e R$ 1.480,00 em julho (na pior das hipóteses).

Fonte: T&F Agroeconomica



 

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