Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

As cotações do trigo em Chicago oscilaram durante a semana dentro de um patamar semelhante as semanas anteriores, porém, o viés também é de alta. O fechamento desta quinta-feira (17) ficou em US$ 5,56/bushel, contra US$ 5,40 uma semana antes.

O relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado no último dia 11/09, não trouxe novidades para o trigo. Nos EUA a produção para 2020/21 permaneceu estimada em 50 milhões de toneladas, enquanto seus estoques finais foram mantidos em 25,2 milhões de toneladas. Com isso, o preço médio aos produtores estadunidenses do cereal permaneceu em US$ 4,50/bushel para o este novo ano comercial, contra US$ 4,58 no ano anterior.

Em termos mundiais, o relatório apontou uma safra total de 770,5 milhões de toneladas, com um crescimento de 4,5 milhões de toneladas sobre a projeção de agosto. Já os estoques finais mundiais ficariam em 319,4 milhões de toneladas, com crescimento de quase três milhões de toneladas sobre agosto. A produção da Argentina foi reduzida para 19,5 milhões de toneladas, enquanto a brasileira veio para 6,6 milhões (este número, considerando as perdas pela geada e granizo nas últimas três semanas, estaria superestimado em nosso entender).

Em paralelo, as exportações estadunidenses de trigo, na semana encerrada em 3 de setembro, alcançaram 484.400 toneladas para o ano 2020/21. Este volume representa um recuo de 14% sobre a média das quatro semanas anteriores. Os principais compradores do trigo estadunidense, na semana, foram as Filipinas, com 123.100 toneladas, e o Japão com 116.500 toneladas. O volume total exportado na semana ficou dentro das expectativas do mercado.

Por sua vez, na União Europeia a produção de trigo deverá atingir a 129,3 milhões de toneladas. Esse volume é melhor do que o anunciado em agosto. Considerando que a demanda local fique em 111,2 milhões de toneladas, os estoques de passagem no bloco chegariam a 13,4 milhões de toneladas no final de 2020/21, já computando as exportações.

Aqui no Brasil, os preços do trigo se mantiveram firmes. A média gaúcha fechou a semana em R$ 58,09/saco, enquanto no Paraná o produto ficou cotado entre R$ 64,00 e R$ 65,00/saco.



Tais preços se mantêm mesmo com o Paraná já tendo colhido 11% de sua área. As perdas em volume e qualidade, devido as intempéries tanto no Paraná quanto no Rio Grande do Sul, seguram os preços para o produto de qualidade superior. Assim, também os derivados do trigo, como a farinha e o farelo, se mantêm elevados.

No Rio Grande do Sul, onde se estima uma quebra de safra ao redor de 30% devido as geadas do final de agosto, intensa chuva de granizo em parte da região Noroeste do Estado, no dia 16/09, aumentou as perdas locais. No Estado, 70% das lavouras estão em floração e enchimento de grãos. Diante disso, a produção gaúcha de trigo deverá ficar em 2,2 milhões de toneladas, contra as 3 milhões inicialmente previstas. E isso sem contabilizar a perda de qualidade de parte do produto a ser colhido. Antes da geada, segundo a Fecoagro, o Estado tinha quase um milhão de toneladas já vendidas.

A novidade que surgiu na semana é que o Ceará, em lavouras experimentais de trigo, produziu 9 toneladas do cereal, significando uma produtividade média acima do obtido no sul do Brasil. O resultado foi considerado surpreendente, pois se considerava impossível a produção de trigo em solo cearense segundo a Embrapa.

Uma das vantagens desta produção foi o tempo curto entre o plantio e a colheita. O ciclo de produção teve uma duração de apenas 75 dias no Ceará, enquanto nas regiões produtoras tradicionais do Brasil, caso do Rio Grande do Sul, o ciclo varia entre 140 e 180 dias. A ideia agora é fazer experimentos também no Maranhão e no Piauí.

Se tal produção avançar, gerará um problema adicional para o escoamento do trigo paranaense e gaúcho, já que o Nordeste brasileiro importa quase 100% do trigo que consome, especialmente da Argentina, EUA, Canadá, Rússia e Uruguai, além de produto nacional.

Enfim, na última semana o Brasil importou mais 30.800 toneladas de trigo duro vermelho de inverno dos EUA, perfazendo no ano um total de 603.900 toneladas deste produto estadunidense. Somando as 33.600 toneladas de trigo macio vermelho de inverno dos EUA, o total importado deste país norte-americano atinge 637.500 toneladas no corrente ano. Estes fornecedores de fora do Mercosul estão sendo beneficiados, desde junho, pelo fato de que o Brasil acrescentou mais 450.000 toneladas de trigo, na cota possível de importar de fora do bloco sem a Tarifa Externa Comum (TEC). Assim, o volume total isento desta tarifa, até novembro, é de 1,2 milhão de toneladas.

Por sua vez, nos primeiros oito meses do ano o Brasil importou outras 3,8 milhões de toneladas de trigo da Argentina. Além disso, vieram 143.000 toneladas do Paraguai, 131.000 toneladas do Uruguai, 51.500 toneladas da Rússia e 50.000 toneladas do Canadá. Assim, somando tudo, o Brasil já comprou no exterior um total de 4,81 milhões de toneladas neste ano. A estimativa, diante da nova quebra de safra nacional, é que o Brasil importe entre 6,5 a 7 milhões de toneladas de trigo em 2020. Especialmente porque a demanda interna por farinhas e derivados cresceu bastante durante este período de pandemia provocado pela Covid-19.


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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