Uma das principais práticas agrícolas que determinam o sucesso de uma lavoura é a semeadura. A semeadura em conjunto com outras práticas de manejo definem a qualidade e produtividade de uma lavoura, sendo essencial conhecer alguns parâmetros fundamentais para a correta execução da atividade.

Dentre os parâmetros importantes na semeadura do trigo, a definição da densidade de semeadura cria certa dúvida. Segundo CUNHA et al. (2016), é comum encontrar densidades variáveis de semeadura para o trigo, apresentadas em faixas desde 200 a 400 sementes.m-2 dependendo da cultivar, ciclo e propósito do cultivo. No entanto é fundamental aderir a faixa de densidade sugerida pela empresa detentora da cultivar e a semeadura deve ocorrer no período sugerido no zoneamento de risco climática da região de cultivo.

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Na cultura do trigo, conforme destacado por HENNING et al. (2019), as três principais variáveis que compõem a produtividade da cultura são: o número de espigas.m-2, o número de grãos.espiga-1 e a massa médias de grãos. Diferentes estratégias são abordadas pelo melhoramento genético para melhorar os componentes de produtividade do trigo, tais como a eficiência no perfilhamento, o aumento da massa de grãos, a maior fertilidade das espigas entre outros… Contudo, a nível de manejo, é possível trabalhar com algumas práticas que podem auxiliar no aumento da produtividade da cultura e a densidade de semeadura é uma delas.

Avaliando o efeito da densidade de semeadura em componentes de produtividade do trigo, HENNING et al. (2019) encontraram resultados que demonstra que para as cultivares BRS Sabiá, CD 150, BRS Gaivota e BRS Gralha-azul, cultivadas em dois locais distintos (Londrina e Ponta Grossa), na safra 2014, das densidades de semeadura 200 e 400 sementes.m-2 apresentaram comportamento distinto quando a resposta dos componentes de produtividade. Segundo dados observados pelos autores, para as densidade maiores (400 sementes.m-2), observou-se maior número de espigas.m-2 e consequentemente maior produtividade da cultura, visto que a variável é um dos principais componentes de produtividade do trigo (figura 1).

Figura 1. Número de espigas.m-2 no estádio de espigamento (pré-florescimento) do trigo em função da densidade de semeadura.  Médias de quatro cultivares: BRS Sabiá, CD 150, BRS Gaivota e BRS Gralha-azul, cultivadas na safra 2014 em Londrina e Ponta Grossa.

Adaptado: HENNING et al. (2019).

Os resultados encontrados por HENNING et al. (2019) conferem com os resultados encontrados por TAVARES et al. (2014), onde os autores também observaram relação positiva para o incremento do número de espigas.m-2 quando houve o aumento da densidade de semeadura do trigo (figura 2).

Figura 2. Média do número de espigas.m-2 com relação a densidade de semeadura para três cultivares de trigo, cultivadas nos anos de 2009 e 2010 em Londrina e Ponta Grossa.

Fonte: TARAVES et al. (2014).

O aumento da produtividade decorrente do aumento da densidade de semeadura observados por HENNING et al. (2019) é de aproximadamente 200kg.ha-1 (figura 3).

Figura 3. Médias de produtividade de quatro cultivares de trigo, cultivadas em Londrina e Ponta Grossa na safra 2014, em função de diferentes densidades de semeadura.

Adaptado: HENNING et al. (2019).

Contudo, apesar do aumento na produtividade do trigo, HENNING et al. (2019) observaram que com o aumento da densidade de semeadura houve uma diminuição do número de perfilho.planta-1 (figura 4), fato este não muito interessante quando se trabalha com trigo de duplo propósito com a finalidade de pastejo e produção de grãos.



Figura 4. Médias do número do número de perfilho.planta-1 de quatro cultivares de trigo, cultivadas em Londrina e Ponta Grossa na safra 2014, em função de diferentes densidades de semeadura.

Adaptado: HENNING et al. (2019).

Adaptado: HENNING et al. (2019).

Apesar do aumento da densidade de semeadura conferir aumento da produtividade da cultura, é importantes destacar que o trigo é uma cultura que também depende de qualidade para a boa comercialização. O aumento elevado da densidade de semeadura em alguns casos pode causar adensamento de plantas favorecendo o desenvolvimento de doenças na cultura, podendo implicar em maior custo de produção ou perda de qualidade do produto.

É fundamental seguir a faixa de densidade de semeadura recomendada pela empresa detentora da cultivar, além disso, deve-se atentar para o propósito da produção e zoneamento de risco climático para a cultura.



Referências:

CUNHA, G. R. et al. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA TRIGO E TRITICALE – SAFRA 2016. Biotrigo Genética, Passo Fundo, 2016.

HENNING, F. A. et al. VIGOR DE SEMENTE E DENSIDADE DE SEMEADURA NA CULTURA DO TRIGO EM DIFERENTES AMBIENTES DE PRODUÇÃO NO PARANÁ. Embrapa Soja, Londrina, Documentos, n. 425, 2019.

TAVARES, L. C. V. et al. GENÓTIPOS DE TRIGO EM DIFERENTES DENSIDADES DE SEMEADURA. Pesq. Agropec. Trop., Goiânia, v. 44, n. 2, p. 166-174, 2014.

Sobre o autor: Maurício Siqueira dos Santos, Engenheiro Agrônomo formado pela UFSM. Atualmente Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da UFSM e Integrante da Equipe Mais Soja.

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